A bela e a fera

A bela e a fera
arte de Mateus Rios, para adaptação realizada por Susana Ventura

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Pesquisas e mais pesquisas - livros de contos de fadas em elaboração

Meses de muitas e muitas pesquisas. Ler em inglês e francês, traduzir um pouco, tomar notas. Estou trabalhando no projeto do que serão três livros de contos de fadas - alguns traduzidos e outros adaptados. Hoje, dia da entrada da Primavera, eu tive uma daquelas grandes alegrias da vida de uma pesquisadora: encontrei uma informação que eu buscava há vários anos e que confirmou uma hipótese de trabalho. Fiquei super contente. Peguei os dois últimos saquinhos da lata de chá que eu tinha trazido de uma viagem especial, fiz um bule de chá e servi a mim mesma numa xícara especial. Agora...trabalhar mais para que os livros saiam em 2018!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Bolsa de Criação Literária concedida em 2016 - o resultado está na rede para todo mundo!

Uma vez mais, dois anos após o término de "O caderno da avó Clara" (publicado pela SESI SP Editora em 2016, ilustrações de Carla Irusta e projeto gráfico de Carla Arbex), fui contemplada com outra bolsa de criação pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo - ProAC. O desafio a que me propus foi ambicioso e necessitou de um período grande de pesquisa: compor uma obra destinada a jovens leitores que se passasse na contemporaneidade da cidade de São Paulo e tivesse como tema alguns dos novos imigrantes que chegaram nos últimos anos. O resultado está livre na rede, para baixar gratuitamente, hospedado no site da Editora Biruta Para este trabalho, eu recebi muita ajuda, especialmente da escritora e artista Marie-Ange Bordas, que tinha uma experiência linda no Haiti e partilhou comigo vários de seus livros e da designer e escritora Roberta Asse, que deu de presente para o livro uma capa que derreteu meu coração (a imagem abaixo é parte dela). Gostaria muito que vocês lessem e viessem me contar suas impressões. Quem topa?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Meses de grandes movimentos e aventuras!

Depois do último post, que falava sobre projetos que andavam em velocidades diferentes, este aqui fala de meses de tão grandes movimentos e aventuras que nem houve tempo para escrever aqui. Estive no FLIPOÇOS, em uma semana de muitas conversas boas sobre literatura e onde lancei ´Apetece-lhe Pessoa?´, uma antologia da obra de Fernando Pessoa que fiz com muito gosto, ao lado de José Jorge Letria e que saiu pela Editora Peirópolis. Logo na volta eu viajei para o Rio de Janeiro, onde visitei os leitores de ´O tambor africano e outros contos dos países africanos de língua portuguesa´ (Editora Volta e Meia) que estudam no Colégio Santo Inácio. Depois, viajei para o oeste da Bahia, para a FLIB - Feira Literária de Barreiras, onde conversei com pessoas que estudam literatura e com os leitores de alguns dos meus livros. E, na semana passada, fui escritora convidada do projeto Viagem Literária, viajando para Floreal, Mirandópolis, Santa Fé do Sul, Buritama e Araçatuba - todas no interior de São Paulo - para conversar com leitores de todas as idades. E enquanto isso acontecia, vários títulos que eu assino saíram nas bancas de jornais, na Coleção Folha ´Histórias de Reis, Príncipes e Princesas´. Ufa, quanto movimento. Nos próximos posts vou falar um pouco sobre os lançamentos, as parcerias. Só coisas muito boas e bonitas!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Projetos que correm (ou caminham, ou rastejam) em paralelo

A rotina da escrita é...rotina mesmo.Para os que escrevem profissionalmente, faz parte do tecido dos dias. No meu caso específico: Escrever, ler, reler, consultar fontes, voltar a escrever, parar um pouco. O interessante de observar são os caminhos da divulgação do trabalho. Um projeto concluído há anos ainda não conseguiu chegar à etapa de divulgação e, por vezes, outro projeto, recém concluído, chega rapidamente ao público, poucos meses após sua conclusão. Hoje contemplei por alguns minutos a ilustração para um trabalho que estará logo nas ruas, resultado de um projeto milagrosamente rápido (em tempos de crise profunda na área editorial foi ainda mais excepcional). É uma beleza, realmente. Um ilustrador sensível com o qual eu sonhava trabalhar há algum tempo. Sim, eu tenho uma lista de gente bacana com a qual desejo parcerias - e venho conseguindo realizar algumas. Os processos andam, correm, rastejam - cada qual no seu ritmo - enquanto eu sigo com a prosaica rotina de ler, escrever, reler, consultar fontes, parar um pouco (como agora, para escrever este post).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Rapunzel - ontem e novamente

Acabei de ler um livro excelente sobre as releituras de Rapunzel ao longo do tempo. 'The rebirth of Rapunzel', da australiana Kate Forsyth. O livro é de 2016 e ainda não tem tradução no Brasil. Um estudo bacana, de escritora que mergulhou em pesquisa para fazer, ela mesma, um reconto a partir do conto de fadas. Na minha experiência pessoal, como professora universitária que ministra cadeira de Literatura Infantil, não se passa um só ciclo de aulas sem que haja um pedido pelo 'original' de Rapunzel (versão Grimm). Já tenho até digitalizada uma cópia. É o segundo conto mais pedido. O primeiro tem sido 'A bela e a fera' (imagino que, em breve, haverá pedidos para 'A Rainha da Neve', de Andersen). Há cerca de um ano encontrei duas outras versões de Rapunzel, em obras de mulheres escritoras de contos de fadas. Traduzi ambos (do inglês), e tenho trabalhado sobre eles. Curiosamente, no início do segundo semestre de 2016, fugi de recontar 'Rapunzel'. Estava envolvida num projeto de recontos e, quando a lista chegou para escolher eu preferi fugir de Rapunzel. Achei que não saberia lidar com o tema, abandono, aprisionamento, desejo, paixão, exílio, solidão, maternidade, sofrimento amoroso...Porque o conto É tudo isso. Hoje, passados tão poucos meses,acabo o livro de Forsyth pensando que, da próxima vez, eu vou encarar o desafio. Mas, por enquanto, vou ler as versões dos outros e pensar, e continuar pensando.

"A vizinha invisível"

Assim disse um dos meus vizinhos de porta agora no princípio do ano: "Chamamos você de 'a vizinha invisível'. Não sabemos nunca quando você está em casa, só quando, por acaso, vemos você na porta do elevador. Acho que passa a maior parte do ano em Portugal,não é?". Respondi com uma risada mas, sinceramente, não sei se a constatação da aparente invisibilidade me fez bem. Sinto falta de Portugal (onde sou ainda menos 'visível' do que aqui) e gostaria que milhares de milhas se acrescentassem à minha conta todas as vezes que fantasiassem delírios sobre a minha vida.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Como resistir?

Um novo ano começa e algo que me mobiliza é saber como resistir. Em tempos de ódios exacerbados e crise do pensamento, problemas econômicos que fizeram com que a minha atividade ligada aos livros no Brasil se tornasse uma modalidade de voluntariado, qual seria a melhor atitude? Sim, é tempo de pensar e conceber planos, porque creio que uma autora de livros majoritariamente destinados a jovens leitores precisa assumir posições neste momento de crise profunda. Não sei como são os outros escritores, como se sentem realmente. Só posso saber de mim. Difícil é pensar no buraco que vai ficar na formação de jovens leitores que já não receberão os livros que deveriam ter sido selecionados, licitados, comprados e distribuídos (era um trabalho grande e significativo, que já não é feito há pelo menos três anos). Pode-se dizer que não era suficiente o que se fazia, mas era importante e relevante. Quanto às vendas em livrarias, elas já eram muito pequenas e, pela mudança de realidade que sofremos, são agora irrelevantes. Até as bancas de jornais - onde também se encontram alguns dos meus livros - para minha grande surpresa estão sendo fechadas por este imenso país (o que diminui a possibilidade de sua atuação como veiculadoras de literatura para crianças e jovens. E sim, seu papel é muito importante com tão poucas livrarias). A vida desta escritora não sofreu alterações em termos de produção e dedicação ao universo dos livros, com a consequência esperada: tive que trabalhar mais, usando algumas outras habilidades pessoais para conseguir pagar o mesmo número de contas (de uma vida que é bastante simples). A lógica determinaria que eu devesse reduzir minhas horas de dedicação ao que, afinal, não está 'rendendo nada'. Mas quem disse que eu consigo me convencer disso? Pelo contrário, tenho pensado em como continuar realizando meu papel e fazer com que o que escrevo chegue aos jovens leitores. Porque considero que o que eu faço pode ser útil a um jovem leitor exatamente neste momento de sua vida. Saberei encontrar saídas? É a grande questão deste início de 2017