A bela e a fera

A bela e a fera
arte de Mateus Rios, para adaptação realizada por Susana Ventura

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Como resistir?

Um novo ano começa e algo que me mobiliza é saber como resistir. Em tempos de ódios exacerbados e crise do pensamento, problemas econômicos que fizeram com que a minha atividade ligada aos livros no Brasil se tornasse uma modalidade de voluntariado, qual seria a melhor atitude? Sim, é tempo de pensar e conceber planos, porque creio que uma autora de livros majoritariamente destinados a jovens leitores precisa assumir posições neste momento de crise profunda. Não sei como são os outros escritores, como se sentem realmente. Só posso saber de mim. Difícil é pensar no buraco que vai ficar na formação de jovens leitores que já não receberão os livros que deveriam ter sido selecionados, licitados, comprados e distribuídos (era um trabalho grande e significativo, que já não é feito há pelo menos três anos). Pode-se dizer que não era suficiente o que se fazia, mas era importante e relevante. Quanto às vendas em livrarias, elas já eram muito pequenas e, pela mudança de realidade que sofremos, são agora irrelevantes. Até as bancas de jornais - onde também se encontram alguns dos meus livros - para minha grande surpresa estão sendo fechadas por este imenso país (o que diminui a possibilidade de sua atuação como veiculadoras de literatura para crianças e jovens. E sim, seu papel é muito importante com tão poucas livrarias). A vida desta escritora não sofreu alterações em termos de produção e dedicação ao universo dos livros, com a consequência esperada: tive que trabalhar mais, usando algumas outras habilidades pessoais para conseguir pagar o mesmo número de contas (de uma vida que é bastante simples). A lógica determinaria que eu devesse reduzir minhas horas de dedicação ao que, afinal, não está 'rendendo nada'. Mas quem disse que eu consigo me convencer disso? Pelo contrário, tenho pensado em como continuar realizando meu papel e fazer com que o que escrevo chegue aos jovens leitores. Porque considero que o que eu faço pode ser útil a um jovem leitor exatamente neste momento de sua vida. Saberei encontrar saídas? É a grande questão deste início de 2017

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